Rio do Sul tem um evento cultural bem maneiro chamado "Sofá na Rua". Acontece no Parque Municipal Harry Hobus, num domingo. Já teve algumas edições, é bem divulgado, rola diversidade e tem um bom público. Pensamos que seria uma boa forma de divulgação do espetáculo. E de certa forma, foi uma baita experiência. :P
Primeiro uma contextualização: somos um grupo amador de artistas. Temos outras ocupações, não somos nem bailarinas profissionais, que dirá performancers.... Enfim, era uma novidade. Mas, né? Tamo aí!
Nosso grupo tem cinco bailarinas. A performance começava com cada mina dançando num ponto diferente. Depois a gente corria p um ponto em comum, rolava uma interação e a gente dançava de novo. Observação: cada uma dançava uma coisa diferente.
Preciso dizer que a gente estava com bastante medo? Dançar assim.... aleatoriamente no parque. A gente pensava em várias coisas: e se alguém esbarrasse? E se pegasse o fio largado no chão? E se algum cachorro se soltasse da coleira? Nada disso aconteceu, lógico. Deu tudo certo. Mais ou menos.
O impacto que a gente causou acabou sendo menor do que o esperado. Tipo, o pessoal não reparou no que estava rolando. Isso foi meio loco. A gente está meio acostumada à estrutura tradicional de apresentar, ser aplaudida, agradecer e sair do palco. Sempre existe uma segurança na ordem.
Mas não tem ordem na rua. Fim. É o que temos.
Eu pessoalmente acredito que toda experiência gera aprendizado. Acredito que esse momento trouxe algo p gente. Se não foi o retorno esperado, paciência. Apesar de ter uma falta de reação, gostei de ter participado.
A gente tende a pensar muito em resultado imediato para todas as nossas ações. Mas nem sempre é assim que as coisas funcionam. Se UMA pessoa no parque viu o que estava rolando e vai aparecer na estreia por conta disso, já é motivo para comemorar!
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
coleta de elogios
Uma das inserções do nosso espetáculo é constituída por áudios de elogios. A ideia era gravarmos a voz de várias mulheres dizendo qual foi o elogio mais significativo que elas receberam.
Tivemos respostas de vários tipos. Descobrimos que a origem do elogio às vezes é mais importante que o seu teor. Coisas simples ditas por pessoas próximas (principalmente família) ficam marcadas na memória.
A maior parte dos elogios citados pelas mulheres era sobre as relações delas. "boa mãe", "boa amiga" eram os mais comuns. Parecem elogios até um pouco bobos, mas se foi o que elas citaram, é porque foi importante.
A experiência de ouvir esses elogios foi muito marcante também. Era difícil não ficar emocionada ao ouvi-los. Acho que a memória do momento em que as mulheres receberam o elogio passa para a voz, e toca a gente.
Tomara que isso seja transferido para o espetáculo. :)
A maior parte dos elogios citados pelas mulheres era sobre as relações delas. "boa mãe", "boa amiga" eram os mais comuns. Parecem elogios até um pouco bobos, mas se foi o que elas citaram, é porque foi importante.
A experiência de ouvir esses elogios foi muito marcante também. Era difícil não ficar emocionada ao ouvi-los. Acho que a memória do momento em que as mulheres receberam o elogio passa para a voz, e toca a gente.
Tomara que isso seja transferido para o espetáculo. :)
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Sábado, domingo e trabalho!
O fim de semana foi de produção e experiência. Algumas ideias começam a sair do papel. Outras começam agora a serem escritas. Momentos de convivência e vivências de grupo são sempre bem importantes para que as ideias cresçam e amadureçam.
Além dos momentos de aula e de criação em dança, o sábado foi marcado por uma atividade bem especial. A Oficina de Performance, um acidente no meio do caminho.
Esta atividade é uma proposta trazida pela Thyara, responsável pelas vídeo performances do nosso projeto. É dividida em momentos: em cada um temos que executar um 'programa', que é uma espécie de roteiro. Cada programa tem uma duração definida e uma ação a ser executada.
O desafio é se desprender dos porquês e dos 'para quês' da nossa vida cotidiana. Simplesmente executar os programas sem se perguntar nada. Nas fotos abaixo, estamos aprendendo como vai ser a oficina (meio que uma abertura).
Depois desta introdução, executamos os programas propostos. Foram sete. Depois das sete execuções, discutimos as nossas reações a eles. Assim entendemos que a ideia das performances não é sempre passar uma mensagem. A coisa toda está nas reações. Para nós, bailarinas, é um pouco estranho este conceito tão abstrato. Mas ao mesmo tempo sentimos que temos a permissão de pensarmos mais longe e mais aberto.
Além dos momentos de aula e de criação em dança, o sábado foi marcado por uma atividade bem especial. A Oficina de Performance, um acidente no meio do caminho.
Esta atividade é uma proposta trazida pela Thyara, responsável pelas vídeo performances do nosso projeto. É dividida em momentos: em cada um temos que executar um 'programa', que é uma espécie de roteiro. Cada programa tem uma duração definida e uma ação a ser executada.
O desafio é se desprender dos porquês e dos 'para quês' da nossa vida cotidiana. Simplesmente executar os programas sem se perguntar nada. Nas fotos abaixo, estamos aprendendo como vai ser a oficina (meio que uma abertura).
Depois desta introdução, executamos os programas propostos. Foram sete. Depois das sete execuções, discutimos as nossas reações a eles. Assim entendemos que a ideia das performances não é sempre passar uma mensagem. A coisa toda está nas reações. Para nós, bailarinas, é um pouco estranho este conceito tão abstrato. Mas ao mesmo tempo sentimos que temos a permissão de pensarmos mais longe e mais aberto.
domingo, 23 de outubro de 2016
fase de pesquisa
Então começamos a busca por referências. Como o tema norteador
é a liberdade feminina, foi sugerido pesquisarmos sobre violência contra a
mulher. E tentar encontrar comentários maldosos sobre as vítimas. Em minha
opinião, a violência mais triste é a doméstica. É a mais silenciada. A que tem o respaldo popular: “em briga de
marido e mulher, não se mete a colher”. Como se qualquer agressão fosse
justificável.
Nossa, que serviço mais baixo-astral! Não sei qual a parte
mais triste: a notícia, os comentários, ou o fato desses comentários terem
avaliações positivas (tipo as curtidas do Facebook). Confesso que às vezes
precisava parar de procurar e dar uma respirada. E isso que nem estou lendo as matérias, só as manchetes mesmo.... Acho que não teria estômago
forte suficiente para isso.
Lógico que existem comentários solidários às vitimas e repudiando as agressões. Admito que não tive paciência para contar quantos de cada "grupo" se manifestam nas notícias. Mas todo aquele ódio concentrado nos comentários é bem assustador.
Pedi para as outras integrantes do grupo contarem o que sentiram com esta pesquisa. B disse que só podia sentir uma energia ruim nessa coisa toda. L escreveu o seguinte comentário: "Isa, procurando algumas notícias e imagens o que mais sinto é ódio e indignação. Não consigo entender porque as pessoas fazem isso, sendo que nada justifica. É super fácil achar notícias assim, pois acontece diariamente e já é quase considerado "normal". Me desagrado mais ainda com alguns comentários fúteis, onde as pessoas tentam defender o criminoso, usando argumentos ridículos e sem noção." Ana considerou essa pesquisa um "estudo sociológico".
Lógico que existem comentários solidários às vitimas e repudiando as agressões. Admito que não tive paciência para contar quantos de cada "grupo" se manifestam nas notícias. Mas todo aquele ódio concentrado nos comentários é bem assustador.
Pedi para as outras integrantes do grupo contarem o que sentiram com esta pesquisa. B disse que só podia sentir uma energia ruim nessa coisa toda. L escreveu o seguinte comentário: "Isa, procurando algumas notícias e imagens o que mais sinto é ódio e indignação. Não consigo entender porque as pessoas fazem isso, sendo que nada justifica. É super fácil achar notícias assim, pois acontece diariamente e já é quase considerado "normal". Me desagrado mais ainda com alguns comentários fúteis, onde as pessoas tentam defender o criminoso, usando argumentos ridículos e sem noção." Ana considerou essa pesquisa um "estudo sociológico".
A ideia é criar uma projeção para o espetáculo com este
material. Ainda não sabemos a forma que essa tristeza toda vai tomar. Só tenho certeza que não vai ser um momento agradável para quem assiste.
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Para início de conversa
Este blog faz parte do projeto PESQUISA E MONTAGEM DE
ESPETÁCULO DE DANÇA E VÍDEO PERFORMANCES, contemplado pelo Prêmio Nodgi
Pellizzetti de Incentivo à Cultura 2016. Somos um grupo de dança, de Rio do Sul
(SC), experimentando possibilidades no campo cênico e buscando linguagens que
agreguem à nossa proposta.
Aqui, queremos falar sobre o processo de pesquisa e montagem
do espetáculo e das vídeo-performances, compartilhar nossas referências, experimentações
e impressões...
Sejam bem-vindos!
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